Magina: (um) preto (na) Paulista

Grafite de um menino preto, de chapéu, shortes e camisa brancos, descalço.
Grafite sobre tapume na Av. Paulista, entre a Gazeta e a estação Trianon do Metrô.
“O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.” (Carlos Drummond de Andrade. A flor e a náusea.)

Por volta de 2012, promoveram uma grande intervenção de grafite entre o Museu de Arte de São Paulo (MASP) e a Gazeta, pintada sobre os altos muros de aço que cercavam a obra, que lá iam erguendo. Ali figuraram, em várias dimensões os diversos tempos, pessoas e veículos para compor um imaginário da nossa memória. Entidades de passagem. Bem no meio dela, fizeram um menino descalço, preto e pobre. Calças curtas, como que fotografado: entre sério e medroso. Num fim de século 19. Localizado como um atual moleque de sertão, caipira, favelado ou de qualquer lugar que não exatamente daquele contexto em que figura: no coração da Avenida Paulista, em pleno século 21. É possível localizar esse pretinho simpático em solos de África, transatlântico. Mas a verdade é que o contexto espacial e temporal da obra não dá muito espaço para dúvidas: ele é um legítimo filho de escravos do século 19, talvez próximo da abolição. Quem sabe, se ele fosse carioca, seria possível sugerir que logo mais integraria alguma malta, seria mais um capoeira, viveria sua malandragem. Mas ele é paulista, ainda que a Paulista não seja dele.

A imagem é uma clara homenagem. Quem pára para observar a obra, logo vê: central, maior, aproximado, destacado. Está lá, ainda que por pouco tempo, ocupa o espaço, dignificado. Mas as políticas afirmativas que pingam do teto das ideias e que nos impulsionam a gostar e querer defender este moleque estão ainda tão enferrujadas quanto é envelhecida a existência dessa personagem. Ao lado, um skatista marca a mudança para um mundo contemporâneo. Carros velozes e moda fashion. Alguém dirá que o nosso preto vestiu calça de cós arriado, tênis enormes, moletom e boné. Boné não: bombeta.

Ainda assim, é difícil imaginar aquele pretinho sorrindo. Jogando pernas pro ar, batuqueando e cantando. Não faz parte da bateria da Faculdade Cásper Líbero, que logo mais fará sua maior apresentação anual, cuja atlética reverencia Jesse Owens, um negro. Não joga capoeira, faz parte de uma escola de samba ou bloco carnavalesco. Aquele preto, recém-saído de uma senzala, está na periferia, distante. Se ele for baiano, ainda pode curtir a Pauliceia numa boa. Se for verdade que quem aqui chega, aqui fica e daqui se torna, o nosso preto poético acabou de chegar. Não se abancou. Ainda pede licença. E vem pedindo licença faz tempo. E dizem que o nosso verdadeiro paulista é caipira, vindo da roça, um pouco panema (triste e azarado). Ou então é italiano, do Bixiga. Mas os dados contam outra história: somos o estado com a maior população negra do país, com cerca de 12,5 milhões de negros, 31% da população.

Ainda é fisiológico o nosso acordar. Ainda é de má inspiração e fracos poemas. É de figuradas alucinações. E de espera por garoas melhores.

A primeira versão deste texto foi produzida a partir do mote que aqui serve de epígrafe, sugestão do professor Welington Andrade, quando eu ainda cursava jornalismo. Segundo o Portalvgv, o grafite foi realizado nos tapumes das incorporadoras Camargo Corrêa Desenvolvimento Imobiliário (CCDI) e da Cyrela Commercial Properties (CCP), em parceria com a Associação Paulista Viva, na esquina com a Rua Pamplona. Os retratos foram produzidos pela ONG Revolucionarte, que “que capacita jovens de comunidades carentes por meio de cursos profissionalizantes de pintura artística em murais”.

Bruxarias do Cosme Velho

machado-de-assis_A obra completa de Machado de Assis [1839-1908] está disponível desde 29 de setembro de 2011 no site do MEC, numa página gerida pela ABL e no Domínio Público. (Duvido que já tenham digitalizado toda a obra jornalística, portanto fica a questão.) No site do MEC, os arquivos podem ser baixados em pdf ou html. O segundo formato facilita a criação de ebooks. COmo exemplo, deixo disponível esta versão de Helena em epub, que adaptei para o meu próprio uso. Muito melhor do que a maioria das versões já disponíveis, esses arquivos vêm, até onde pudemos apurar, revisados e bem editados, organizados por gênero.

http://machado.mec.gov.br/

Index ou Livros para a vida toda

Index é um termo latino para lista. Mas também é o dedo indicador (índice). Aquele que norteia os demais. Aquele que aponta que direção olhar, ou para onde estamos seguindo. O Index Librorum Prohibitorum1 foi a lista de livros proibidos pela Igreja. Esta aqui, por sua vez, é uma ideia de Lista para a Vida Toda. Já que não é possível ler todos os livros do mundo, é preciso saber quais lerei. A vida é finita. Para cada livro que lemos, talvez outros 10.000 não terão a mesma sorte.

A ideia partiu da minha leitura enviesada de Como falar dos livros que não lemos, de Pierre Bayard2. Logo no começo do livro, o autor menciona O homem sem qualidades3 e sugere uma classificação que não sofra da idiotia do tabu “livro lido” versus “livro não lido”, apontando que nossa relação é muito mais complexa com eles do que isso. Sugere inclusive uma classificação, a saber: livros desconhecidos (LD), livros de que ouvimos falar (LO), livros folheados (LF), livros de fato lidos (LL) e, finalmente, livros esquecidos (LE). E uma segunda classificação opinativa: –, -, 0, +, ++.4

Acrescentaria mais duas: a primeira tem a ver com a minha estranha relação com Farenheit 4515 e Ensaio sobre a cegueira6, para dar dois exemplos. Não li nenhum dos dois, possuo cópias do primeiro e já li bons trechos, assisti filmes sobre ambos, uma peça sobre o segundo7… enfim: eles flertaram comigo mais até do que alguns que de fato li. O contato externo com um livro não é necessariamente de ouvido, como para mim é o caso da obra de Fernando Morais ou Luiz Ruffato. Tomei tanto contato com aquelas duas obras que me sinto em dívida com elas, como uma viagem que eu ainda vou fazer, uma espécie de promessa. Então chamarei essa categoria de Livros Prometidos (LP), algo como um casamento que espera ardentemente as suas núpcias, mas que talvez precise do tempo certo e do ambiente certo.

Para mim, ler Máquina macunaíma8, livro “quase secreto” de Luiz Bras foi especial sobretudo por ter lido em viagem ao Rio de Janeiro e me hospedado ao lado de uma delegacia9. Um livro que vivi essa relação de promessa e com o qual razoavelmente me casei foi Hamlet10: Assisti a melhor versão em DVD da peça e li simultaneamente o livro no original, de acordo com a sugestão de Welington Andrade. É aí que entramos na minha última ideia de classificação: existe uma relação de continuidade com os livros: tem livros que a gente compra e que muitas vezes carrega sem sequer folhear (LP), mas também há aqueles que se tornam nossos companheiros.

Enfim, a nossa relação com os livros se parece muito com a que estabelecemos com as pessoas –e talvez a melhor classificação fosse uma que englobasse um sistema de rede social análoga. Mas, para efeito de classificação, acrescento apenas um aspecto durativo: em processo (~), abandonado (@) ou repudiado (#) e interrompido (/). Para exemplificar, considero Máquina Macunaíma um livro lido, que continuo folheando, e que me sinto inclinado a reler: LLF~P. O próprio Bayard, na classificação de Bayard, já seria um livro lido: LL. Mas, de acordo com minha classificação, é um livro que, na verdade, ainda estou lendo: LL~. Assim, adiciono um aspecto de continuidade com aqueles livros que pretendo retomar. Pensando na situação oposta, podemos estabelecer um sinal para os livros que repudiamos, como, no meu caso, A cabana, que classificaria como lido, já que li mais da metade, mas repudiado, LL/#. E, finalmente, aos livros que retomaremos, como, no meu caso, A doutrina secreta nos seus seis volumes, cuja leitura está interrompida há anos: LL~/. A classificação de repúdio nada tem que ver com a apreciação da obra, já que muitas obras podem ser consideradas por nós mesmos excelentes mas, em algum momentos, completamente intoleráveis, como por exemplo A paixão segundo GH, a ponto de considerá-lo prometido11. O repúdio (#), como se pode ver, é bem interessante do que o mero abandono (@).

Nunca me esqueço de que esperei um dos momentos mais tristes para abrir Crime e castigo12, presenteado –e disso não me arrependo. Saí dele com vida. Nem por isso aconselho tal procedimento, apesar de também acreditar que livros bons são aqueles que nos levam à beira do abismo. E por falar em suicídios, outro livro que flerta comigo: Werther13. Não diria que me toca mais do que Anna Kariênina14 (sic): para mim, nada substitui a leitura. Quem lê, sai do livro diferente. É o grande prazer do autor. Além de suas forças, o livro tem um porte colossal. O autor empenha nele tanta energia que, criador, desmaia exausto diante de sua criação. E sussurra, exausto, parla

Bayard é muito esperto e não se furta de dizer que não leu, nem pretende, Joyce ou Proust (nem eu, por enquanto). Mas se arma de um argumento para mim insustentável: de que é possível falar sobre um livro que não se leu. Pode ser, mas alguém leu. E esse alguém, no meu entender, está em vantagem. Falar de um livro a partir da leitura de outro é, primeiro, errôneo (as leituras costumam ser enviesadas justamente porque partem da vantagem da não-leitura das outras pessoas, como, creio, na história de O homem que sabia javanês15) e, segundo, uma atitude aproveitadora. Por outro lado, Bayard é um professor experimentado e tem experiência no ato de falar de livros: quando ele diz que se esqueceu de um livro, isso significa que terá dificuldade de contar o seu enredo, falar profissionalmente sobre ele, e que até por necessidade abandona o orgulho hipócrita de ter lido um livro, sem se lembrar muito bem dele… O esquecimento também é um processo. E para perceber que não se sabe tanto assim a respeito de uma obra é preciso maturidade.

Estimando que viverei, com muita sorte, até os 70 anos, preciso escolher quais livros lerei a cada ano. Há várias estimativas possíveis. A primeira veio do colega Bruno Gaspar e sua meta de 50 páginas por dia. Considerando que a média dos livros possui em torno de 300 páginas, é necessário pouco menos de uma semana para ler um livro. Sendo generoso, podemos estimar um livro por semana, pelos próximos 40 anos. Sendo assim, teremos:

1 livro/semana × 4 semanas/mês × 12 meses/ano × 40 anos = 1920 livros

Uma estimativa menos otimista é que se leia metade disso, isto é, um livro a cada quinze dias, ou até um livro por mês. O valor então cai para cerca de 1000 livros ou até nada mais que 500 livros. Como não se trata de estabelecer o máximo, mas um número mínimo, um bottom-line pra que se possa escolher bem o que ler e o que deixar de ler.

Outra questão complicada é que deixar de ler um livro não deveria implicar em postergar sua leitura, mas deliberadamente decidir não ler. O que para mim é tremendamente penoso. O livro é o amigo ideal. É possível enrolá-lo ad infinitum. Ele está lá, em seu mundo, como um gênio da lâmpada. Retomo a minha metáfora favorita: o livro é um vírus, um parasita obrigatório. Uma forma protéica inerte que precisa de um hospedeiro e que nele se multiplica, sofrendo inúmeras mutações. Parece até, que quando o livro não se modifica tanto, fica ainda mais evidente a doença (pathos) do hospedeiro. Eu me sinto assim com Platão e com Patañjali: sou outro e não modifico essas obras. Recebo-as como são e, mesmo sem necessariamente defender seu conteúdo, não posso me furtar de recorrer a seu conteúdo. É o chamado livro de cabeceira…? Ele se hospeda do cérebro do afetado e se aloja lá, indefinidamente. Algum dia um outro livro desbancará o Banquete16 do meu coração? Claro que há afetações menos passivas: eu sempre sofro com Drummond, por exemplo. Queria me ver livre do velho, mas a sua poesia é a que me insufla mais as velas. Eu fujo dessa leitura, mas tem vez que não dá mais pra evitar. E recorro às suas páginas… Mas ainda sou um leitor muito precário.


  1. LD. 

  2. LL~+. 

  3. LD0. 

  4. Acrescento a posição ativamente neutra (0). 

  5. LP++. 

  6. LDP++. 

  7. Além de ter me engalfinhado em acaloradas discussões a respeito do livro de Saramago porque o filme foi adaptado em inglês. E eu sempre achei isso um ultraje. Mas já ouvi tantos argumentos contra essa minha posição que nem me darei ao trabalho de sustentá-la. 

  8. LLF~P+. 

  9. Um dos contos do livro é sobre “o delegado Tolstoi”. 

  10. LL+++. 

  11. LL~#/P++. 

  12. LL+++. 

  13. LOF++. 

  14. LE~. 

  15. LD++. 

  16. LE~+++. 

Chapas quentes

Seu garçom faça o favor de me trazer depressa
Uma boa média que não seja requentada
Um pão bem quente com manteiga à beça
Um guardanapo e um copo d’água bem gelada
[…]

(“Conversa de botequim”, Noel Rosa / Vadico)

Há um ano e cinco dias, divulgou-se uma previsão de Sérgio Guerra1, presidente nacional do PSDB: diferentemente do que gostaria, Eduardo Campos2 (PSB), governador de Pernambuco, dificilmente sairia como vice na chapa de Serra: “conheço Eduardo, conheço o PSDB inteiro […] a tendência é essas forças se diferenciarem na campanha”.

Há pouco mais de um mês, Milton Flávio3, presidente do diretório municipal do PSDB em São Paulo, defendeu uma chapa pura para Alckmin concorrer ao governo do Estado, afirmando que a experiência com o PSD (Cláudio Lembo e Giberto Kassab) foi muito ruim4. Há doze dias, foi a vez de Aécio Neves5 (PSDB-MG) propor durante um almoço –no gabinete do líder do PTB, Gim Argello (DF), com senadores do PTB, PR, PRB e PSC–, uma chapa pura e “café-com-leite” com Aloysio Nunes Ferreira (PSDB-SP), o que relegaria José Serra a uma candidatura de senador, alegando que a ligação entre eles dois teria o potencial de acabar com a disputa interna e garantir certa margem de votos ao partido. Entretanto, Aécio “decidiu não endossar a iniciativa da bancada federal de antecipar o lançamento da candidatura” já que há um acordo com Serra para manter a indefinição até março do ano que vem.6

Sem desmobilizar a agitação em torno do informal partido Rede Sustentabilidade (que teve seu registro negado em 3 outubro7), Marina Silva8 se filiou ao PSB dois dias depois9. Nem ela –que declarou apoio à candidatura de Eduardo Campos–, nem ele10, descartam a candidatura dela como vice na chapa do PSB.

Para Nivaldo Cordeiro11, a chapa “pura” do PSDB seria uma “aberração política”, uma “fraqueza congênita”, um passo em direção ao “ocaso”, alimentando ainda as insistentes tentativas do grupo de José Serra de sair do partido. Segundo o professor da FGV, a atitude se configura como um ato de renúncia do PSDB em se tornar uma alternativa à composição petista. Nivaldo ainda vê nesse processo uma inversão histórica: Se, no passado, o PT deixou de agir como partido exclusivista para encampar composições –e assim se estabeleceu no poder–, o PSDB tem rumado para um “apequenamento”, uma “incapacidade de ampliar seu arco de alianças”, correndo o “risco de perder o governo de São Paulo” e “se tornar um partido nanico”. Já na aproximação Marina Silva-Eduardo Campos, o professor enxerga um racha na atual estrutura de poder: algo “bom para a democracia”.

Para completar o cenário, Angela Bittencourt12 analisa que o evento da prisão dos mensaleiros neste final de semana prolongado e que prossegue nesta segunda-feira13 com mais sete mandados pelo presidente do Supremo Tribunal Federal, Joaquim Barbosa, combinada à nova e acachapante vitória de Rui Falcão à frente do PT, liberou espaço na agenda do ex-presidente Luiz Inácio [Lula] da Silva14, catalisando o cenário de confronto. Um elemento de diferenciação entre Dilma e os demais candidatos, é ter nas mãos a máquina administrativa e um maior grau de exposição.


  1. Recife, 1947. Entrevista para Fernando Rodrigues gravada em 21.9 para o UOL. 13.11.2012.
    <youtu.be/R5iyCXsn2-s>. 

  2. Recife, 1965. 

  3. Milton Flávio Marques Lautenschlager. Birigui (SP), 1947. 

  4. “Dirigente do PSDB pede chapa pura para eleição em São Paulo”. 15.10.
    <poderonline.ig.com.br/index.php/2013/10/15/dirigente-do-psdb-pede-chapa-pura-para-eleicao-em-sao-paulo/>. 

  5. Aécio Neves da Cunha. Belo Horizonte, 1960. 

  6. “Aécio propõe solução ‘café com leite’ para tucanos”. O Estado de S.Paulo. 6.11.
    <estadao.com.br/noticias/impresso,aecio-propoe-solucao-cafe-com-leite-para-tucanos,1093724,0.htm>. 

  7. “Rede Sustentabilidade de Marina Silva tem registro negado pelo TSE” em Correio Braziliense. 3.10.
    <correiobraziliense.com.br/app/noticia/politica/2013/10/03/interna_politica,391627/rede-sustentabilidade-de-marina-silva-tem-registro-negado-pelo-tse.shtml>. 

  8. Rio Branco (AC), 1958. 

  9. “Marina Silva anuncia apoio a candidatura de Eduardo Campos à presidência”. Em 5.10.
    <noticias.terra.com.br/brasil/politica/marina-silva-anuncia-apoio-a-candidatura-de-eduardo-campos-a-presidencia,952b3b58e7981410VgnCLD2000000dc6eb0aRCRD.html>. 

  10. “Eduardo Campos não descarta Marina como vice: decisão será em 2014″. 12.11.
    <noticias.terra.com.br/brasil/politica/eduardo-campos-nao-descarta-marina-como-vice-decisao-sera-em-2014,b54757c377a42410VgnVCM10000098cceb0aRCRD.html

  11. Juazeiro do Norte. Mestre em Administração de empresas e doutor em economia pela FGV. 7.11.
    <youtu.be/SFR2z8XMCxY

  12. “Casa das Caldeiras” em Valor Investe. 18.11.
    <valor.com.br/u/3341084>. 

  13. “Dirceu, Genoino, Valério e mais sete réus do mensalão já se entregaram à polícia” em Zero Hora.
    <zerohora.clicrbs.com.br/rs/politica/noticia/2013/11/dirceu-genoino-valerio-e-mais-sete-reus-do-mensalao-ja-se-entregaram-a-policia-4335139.html

  14. Caetés (PE), 1945.